sábado, 27 de outubro de 2012

Pós Modernidade

Estou com uma vontade de escrever e não sei o quê. Estou com uma sede de deserto, ouvindo o rio bem próximo e não sei onde. Estou catando migalhas em vendaval. O escuro sempre foi meu enigma, sou todo enigma. Não tenho pretensões de criar algo novo nesta madrugada já tão sem vida. O futuro é a repetição do passado, é a cobra engolindo seu própio rabo. O que estou eu a dizer? Ah, sim. O futuro é a versão atualizada do passado, mas com a mesma essência, somente mudaram nossos medos. Antigamente, tinhamos medo que a ciência e a lógica falhasse, fiamos tanto nossos conceitos nelas e ficávamos com medo que as coisas não dessem certo. Porém, hoje sabemos que a razão e a ciência não vão nos explicar tudo, somos agora pós-modernos, não cairemos na besteira de acreditar nestas coisas já tão superadas e obsoletas, apesar de serem importantes. Somos mais, temos um milhão de informações para processar e outro milhão de coisas para resolver, não podemos acreditar em nada por mais de duas horas. Acreditar em alguma coisa por mais de duas horas, é loucura. Não, somos o futuro, e no que acredito? Em algo, mas daqui a pouco eu mudo, meu relógio já disparou faz um tempo.

Vejo nossa vida, como uma crosta fina de gelo, estamos deslizando, ou seja, fazemos tudo rápido e eficiente, senão o mundo nos engole. Se paramos, caímos na água fria e gelada que nos matará. Então, corremos, não, deslizamos a medida pulsativa da velocidade que nos permite nosso entendimento, mas que não seja lento, se não, é o mundo vazio da crosta de gelo que nos engole. Lembro, que este pensamento não é meu, é de um filósofo americano do século XIX, que me foge o nome. Mas, eu disse que nada inventaria. Por que me culpas?

Não se preocupe, quando terminardes de ler isto, só posso chamar de isto, já não estará acreditando em alguma outra coisa mesmo? Não se preocupe ir muito fundo em nada, lembre-se, você tem um atarefamento insuportável, que quando acordas juras que não conseguirá realizar metade do que tens a fazer. Mas, você tem que fazer. O mundo lhe oprime a isso. Senão, o gelo não aguenta o peso do seu corpo concentrado e, você será engolido pela água gelada e mortal de vida.

O que estou eu querendo dizer com isto? Não sei, talvez seja uma dessas eloquências da madrugada ou da Lua. Que aliás, devo afiançar-lhes, que jamais a vi tão bem refletida como hoje. Imponente, imperial, rubrica  esplêndida e não tem as estrelas mortas para criar opaco em seu brilho refletido do Sol. Aliás, o Sol deve ter inveja da Lua. Ninguém olha o Sol, ninguém o admira. Pelo menos, não com a protuberância que tem a Lua, rainha incondicional do Espaço humanístico. A Lua, surrupiadora de brilho alheio, tornou-se majestade de brilho.

O que me pertuba, é o que eu não disse. O que eu sei e contudo, não digo. Não por egoísmo mesquinho. É que talvez, esteja tão cravado em mim, que me reflete. E contudo, não consigo diferenciar no espelho o que quero dizer. É uma sensação absurda, eu sei. Vejo apenas, trabalhos vagos e sem crédito. Como monotonia, pingando…pingando….pingando…É êxtase de cotidiano. É mero acaso de ser.

Vem-me uma sensação absurda, a pós-modernidade ficou preguiçosa. Para tudo, cria-se facilidade. E eu, aqui com a minha dificuldade imensa em falar uma simples coisa. Sim, é simples. Só pode ser simples. Tenho dificuldade em dizer coisas simples. Cria-se coisas para facilitar a vida do pós-moderno, o cartão de crédito, por exemplo, não há mais necessidade de andar com dinheiro. O dinheiro, em papel, ficou obsoleto. Será quando criaram as rodas, também acharam obsoleto o quadrado? Não sei. Preciso engolir o que quero dizer, e não digo, pois não acho água tão límpida que me faça dizer.

Estou cansado, estou tentando extrair do bruto e não consigo. A sua simplicidade me entope a garganta. Vou buscar ar fresco. A pós-modernidade me deixou sem ar, mas vou correndo, senão…

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Meus 20 Melhores Filmes de Ficção

Bom, fazer uma lista de melhores é complicado com qualquer coisa, ainda mais no cinema. Por uma solicitação de um amigo querido, Fabrício Martines Alves, e por ter achado um desafio estimulante para um cinéfilo como eu, resolvi fazer uma lista de 20 melhores por gênero e por final, os meus melhores filmes de todos os tempos.
Somente para ressaltar, que é uma lista pessoal, portanto é de meu particular gosto e não necessariamente estará preso a qualquer regra ou parâmetros que fogem disso. Segue minha lista de Ficção:

20° Lugar - Os Doze Macacos (Terry Gilliam)

Terry Gilliam para quem não sabe, era o mesmo diretor do melhor grupo de humor de todos os tempos: Monty Python. Fez um trabalho fantástico neste filme. Para mim, foi quase um sacrilégio deixar esse filme nesta posição de tão bom que ele é e com atuações brilhantes de Bruce Willis e principalmente do Brad Pitt. Além, que esse filme marcou a história de filmes do gênero.
O filme mostra um prisioneiro de um futuro apocalíptico, que aceita a missão de voltar ao passado para tentar decifrar mistério envolvendo vírus mortal que levou morte da maior parte da humanidade. Tomado como louco, no passado, ele tenta provar sua sanidade a uma médica, sua única esperança de mudar o futuro.
Esse filme contém uma pitada de humor negro, que sempre me atrai   e alguns paradoxos sobre heroísmo, épocas e situações. É o tipo de filme, que realmente você torce para o personagem.

19° Mad Max 2 - A Caçada Continua (George Miller)

Para mim, esse Mad Max 2 conseguiu ser bem melhor que o primeiro, impossível depois de assisti-lo, ficar impassível a ele. Naquela mesma cosmovisão apocalíptica do primeiro, onde homens são umas bestas, no sentido animal mesmo. Onde a gasolina é o preço da liberdade, em virtude de uma guerra nuclear que acabou com os campos petrolíferos do Oriente Médio.  É quando Max, decide ajudar uma comunidade a defender sua refinaria contra uma gangue de motoqueiros em troca de gasolina.
Esse filme conta com um excelente visual, uma atuação excelente de Mel Gibson. Com uma provocante e precisa, cortes com conversações curtas, pois no contexto do filme, as relações humanas estão bem desgastadas e frágeis. Esse filme traz um quê de drama, bem encaixado durante a trama, veículos (para a época) espetaculares e com personagens bem estruturados que vão dando enredo a todo filme. 

18° Metrópolis (Fritz Lang)

Bem, esta aí um verdadeiro clássico, estereotipado na concepção da palavra, afinal foi lançado em 1927. É o tipo de filme que é atemporal, assisti-lo hoje, tem uma sensação provocante e uma experiência incrível.
 Esse filme retrata uma sociedade do futuro (2026), onde as diferenças sociais são extremamente antagônicas, entre os pensadores e os trabalhadores, já por aí dá para ter uma ideia de crítica social que tem esse filme.Nesse cenário, um governador insensível, seu filho apaixonado, uma líder espiritual e um robô (que inspirou Beyonce em alguns de seus shows) criam histórias maravilhosas e que são referências até hoje no gênero. 





17° Stalker (Andrei Tarkovsky)

Esse filme russo é uma verdadeira obra-prima do cinema, que conta a história de três personagens: o homem comum (stalker = aquele que observa), o artista e o cientista, que têm objetivos bem distintos. Enquanto o homem comum está satisfeito com sua condição de condutor, os outros procuram seus propósitos. Na busca destes desejos, os caminhos são um tanto tortuosos e perigosos. 
Conta com talvez um dos melhores roteiros da história do cinema, com uma bela descrição sobre poder, transmitido como uma grande metáfora da vida. Atores tem atuações excelentes, fotografia muito boa e é um tanto pesado de assistir, mas vale e muito a pena ver esse filme.




16° Contatos Imediatos do Terceiro Grau (Steven Spielberg)

Spielberg dando as caras na lista. Talvez seja o filme que emplacou de vez, como um dos grandes diretores do Hollywood. Lógico irão lembrar de Tubarão, mas esse colocou seu nome como um dos grandes do cinema. E fora que salvou a Columbia da falência, com o estrondoso sucesso que foi esse filme.
Conta a história de um eletricista que tem contato com objetos voadores e fica intrigado com visões e manchas na pele que passa a ter e vai atrás de respostas.
Esse filme, basicamente trata das relações humanas, nossa curiosidade e medo pelo desconhecido. Tem um roteiro muito bom (adaptado pelo próprio Spielberg), efeitos especiais excelentes e uma trilha sonora que vale a pena prestar atenção.



15° O Planeta dos Macacos (Franklin J. Schaffner)


Talvez, para muita gente, esse filme estaria posições mais a frente, o que eu não discordaria. Esse filme é um marco no gênero, com caracterização de personagens, nosso conflito ético e um roteiro excelente e criativo. E ainda gerou remakes, seriados e sequências. 
A história se passa de quatro astronautas americanos que viajam na velocidade da luz, e avançam 2000 anos em um planeta desconhecido, que mais parece um grande deserto. Quando ainda procurando entender, se vêem caçados por macacos "evoluídos". Caem em um mundo, onde seres humanos são "animais imundos" e os macacos estão no "topo" da cadeia evolutiva.
Com cenários e enredos excelentes, maquiagem perfeita,  e contém um roteiro inteligente. É o tipo de filme que vale a pena ver.



14° Star Trek 2 - A Ira de Kahn (Nicholas Meyer)

Eu considero o melhor longa da série de Star Trek. Um filme que contém efeitos especiais excelentes, humor bem trabalhado e leve, personagens bem caricatos e um roteiro muito bom. Além de trazer à tona, questões filosóficas, com o projeto Gênesis e acabamos descobrindo mais sobre o passado do Capitão Kirk e como ele burlou o teste.
A história do filme: Khan ficou preso por anos em um planeta sem vida e, culpa o capitão Kirk disso e da morte de sua esposa. Indo assim, atrás de sua vingança.
Acho que os pontos fortes desse filme, são os personagens caricatos da série Original (Kirk, Spock, Dr. Leonard McCoy "Magro" e Khan "vilão" este ultimo não é da série) com diálogos deliciosos e por vezes reflexivos, trilha sonora boa e traz todo o clima do seriado, o que para mim, se perdeu no primeiro filme. Vale muito a pena assistir, até para quem nunca assistiu o seriado.

13° A Origem (Christopher Nolan)

Um filme realmente marcante. Talvez alguns achem um exagero ele            estar figurando nesta lista, mas poucos filmes me empolgaram tanto nos últimos tempos como este. Christopher Nolan é realmente um gênio se tratando da sétima arte, soube muito bem mesclar ação com sci-fi. Esse filme traz a tona um questionamento filosófico sobre o que é realidade, de uma maneira profunda, porém não pesada. Esse filme conta com um roteiro brilhante, traduzido magnificamente pelo diretor. Conta com uma atuação especial de Di Caprio, um fotografia vislumbrante, efeitos especiais maravilhosos e uma trilha sonora muito boa.
A história é que um poderoso empresário procura Dom (Di Caprio) para propor algo um pouco diferente, tentar implantar uma ideia na cabeça de um herdeiro de outra companhia.
Assistam... só isso tenho a dizer!!!



12° Brazil - O Filme (Terry Gilliam)

Lembro-me quando me falavam desse filme, ficava reticente devido ao nome (que pouca coisa tem a haver com nosso país), puro pré-conceito mesmo.Quando vi quem era o diretor  (Terry Gilliam), resolvi assistir e, o filme é sensacional. Outro filme que traz uma carga forte de crítica, onde o conduz a sobreviver (e aqui é bem isso mesmo) em um país burocrata, tecnocrata, autoritário e onde o status quo é mantido a força. E óbvio, neste panorama há aqueles que não se adaptam e que lutam contra esse sistema através de atentados.O protagonista sempre escapa para um mundo onírico onde sempre tenta salvar a sua amada. O filme tem muitos, mas muitos detalhes para contar... Assistam!!!
Contando com a trilha sonora principal de Aquarela do Brasil, com roteiro excelente, maquiagem e atuações fabulosas e uma história realmente apaixonante. 


11° O Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento Final (James Cameron)


Se o primeiro já é marcante, sua sequência é realmente de tirar o fôlego. James Cameron caprichou em ação e efeitos especiais e de som, com um roteiro inteligente e o que tornou ainda mais épico esse filme, são as frase de efeito do T-800. 
Neste filme, o T-800 volta ao passado, agora para proteger Sarah Connor (não para matá-la como no primeiro) e seu filho John Connor da ameça do T-1000 (Robert Patrick), que aliás faz um dos vilões mais durões da história do cinema.
Com certeza, esse filme marcou o cinema nos anos 90 e deixou cravado sua excelente contribuição ao gênero.





10° Donnie Darko (Richard Kelly)


Talvez seja o filme que assisti mais despretensioso possível, e que realmente me deixou perplexo. Ainda mais por ser um filme independente. É simplesmente fantástico.
A história de um garoto todo esquisito que acorda em lugares totalmente estranhos, vê um coelho bizarro que lhe diz que o mundo vai acabar em um mês e o convence a "tocar o terror".Se já não bastasse isso, o final é sensacional...
Esse filme mescla e bem, suspense, humor negro, críticas a hipocrisia da sociedade, thriller psicológico e rebeldia.






9° ET - O Extraterrestre (Steven Spielberg)

Spielberg de novo na lista e com um mega clássico. Esse filme indiscutivelmente, marcou na história da sétima arte. É basicamente um filme infantil, mas que conquistou pessoas de todas as idades. Um verdadeiro sucesso (tanto de bilheteria quanto de crítica), que contém visuais vislumbrantes, cenas memoráveis e imortalizou o “E.T., telefone, minha casa”.
É impossível assisti-lo, principalmente quando se assiste pela primeira vez e ficar impassível a ele. Traz questões importantes como a questão da finitude da vida,a transição entre a criancice e a vida adulta (mesmo que subliminar), solidão da criança e ansiedade infantil diante do desconhecido.
Realmente é um filme encantador de se assistir.




8° Alien - O Oitavo Passageiro (Ridley Scott)

Esse e sua sequência ( Aliens - O Resgate - James Cameron) poderiam entrar nessa lista, são dois filmes realmente muito bons. Vai um pouco de encontro com o resto da lista, pois estes filmes trazem o terror. Esse filme tem um produção beirando a perfeição, com um realismo impressionante, um suspense intrigante e que te deixa fixo na tela para descobrir os próximos passos, usando apenas um simples ingrediente, o desespero. A trilha sonora é excelente. Fora, a tenente Ripley, ela é um caso a parte nesse filme.
A história é basicamente quando os tripulantes da nave Nostromo se vêem trancados em sua nave junto de uma criatura alienígena mortífera. 
Acho que esse filme, é uma referência no gênero.




7° Star Wars: 5 - O Império Contra-Ataca (Irvin Kershner)


Há quem discorde de que Star Wars é ficção, mas para mim é. E  como apaixonado pela saga, não poderia faltar na lista. George Lucas realmente conseguiu se superar, com mais liberdade e mais dinheiro, contratou para dirigir o Irvin Kershner que fez um trabalho fantástico neste filme. Conta com um roteiro divertido, efeitos especiais excelentes, fotografia vislumbrante, a trilha sonora que talvez seja a mais marcante da história do cinema e os personagens muito bem construídos e mais aprofundados nesta continuação. Isso sem falar que o Mestre Jedi Yoda, talvez seja o personagem mais conhecido na história do cinema.
A história basicamente são as tropas imperiais comandadas por Darth Vader, que lançam uma ofensiva contra a resitência, enquanto isso, Luke Skywalker tenta encontrar o Mestre Yoda, para ser um cavaleiro Jedi, mas Vader planeja levá-lo para o lado negro da força.
Para mim, é a melhor saga de ficção da história do cinema.



6° Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (Michel Gondry)

Esse é o tipo de filme que fica até difícil encaixá-lo em algum gênero. Traz humor, romance, ficção cientifica e tudo isso e muito, mas muito bem encaixado em um roteiro do Charles Kaufman que é espetacular. E a atuação do Jim Carrey é simplesmente brilhante, me faz duvidar seriamente das escolhas da Academia. Tudo bem, Jamie Fox foi excelente em Ray, mas para mim o Jim Carrey merecia levar e o pior que ele, não foi nem indicado.
Fora o roteiro, que já falei é brilhante, fotografias lindas, atores muito bons e caricatos. 
A história é que Joel (Jim Carrey) descobre sua esposa apaga ele literalmente de sua mente e decepcionado, resolve fazer o mesmo. No decorrer do processo, Joel percebe que não quer apagar Clementine (Kate Winsley) da sua memória e luta contra sua mente para mantê-la. Parece simples, mas o enredo que o filme é contado, te faz entrar em diversas divagações. 

5° Laranja Mecânica (Stanley Kubrick)

Outro filme, que muita gente não caracteriza como ficção, mas as referências de gênero, behaviorismo e a sociedade do futuro (1995) sendo que o filme é de 1971. É realmente uma obra-prima do cinema e do Kubrick. Esse filme é outro daqueles temáticos-críticos, neste caso, um olhar crítico sobre a violência. 
O anti-herói Alex (Malcom McDowell) é líder de uma gangue londrina de delinquentes que praticam a "ultra-violência", como espancamentos, roubos, furtos e estupro (que sinceramente é marcante ao som de Cantando na Chuva). E há reviravolta, quando Alex mata uma de suas vítimas e é traído por um dos membros de sua gangue e vai para a prisão. E lá, ele se voluntaria a um tratamento experimental para controlar seus impulsos de violência, só que o tratamento..... Assistam!!! :)
PS. A cena do estupro retratada no filme que é bonita e não, o ato em si.

4° Star Wars 4 - Uma Nova Esperança (George Lucas)


Aqui começa a Saga de maior sucesso do gênero do cinema. George Lucas nos apresenta aqui um mundo de possibilidades. Com uma baita criatividade, fizeram efeitos especiais inimagináveis para a época (onde nada poderia ser feito pelo computador), com um orçamento relativamente baixo e um descrédito total. É incrível hoje imaginar que essa série passou por isso e apesar das dificuldades, tornou-se um fenômeno.
Conta com um roteiro divertido e envolvente, inovador, excelente fotografia, figurino, maquiagem, personagens caricatos e uma trilha sonora marcante. Lógico que há o antagonismo bem definida, na luta do bem contra o mal. Aqui só começa a saga e somos apresentados aos personagens e suas motivações....
É simplesmente Genial.... 


3° Blade Runner - O Caçador de Andróides (Ridley Scott)

Outro filme do Scott. 
Talvez, muitos de vocês colocariam esse no topo da lista, porque realmente é brilhante este filme. O curioso deste filme, é que ele foi um fiasco de bilheteria e hoje, é um dos mais cultuados do cinema.
Com um roteiro fantástico, com efeitos maravilhoso e que estupenda atuação, mais uma, do Harrison Ford (Deckard, Han Solo e Indiana Jones só para citar alguns), que vai à caça de replicantes (andróides) foragidos. 
Há uma abordagem genial sobre a superpopulação, uma visão pessimista do futuro, questionamento ético sobre o uso da tecnologia, questões de meio ambiente e fora o visual futurista meio retrô, similar ao Metrópolis que é sensacional. 




2° Matrix (Andy Wachowski e Larry Wachowski)

Sei que muita, mas muita gente não concordará comigo de Matrix estar nesta posição. 
Matrix é um campeão de crítica e público e arrebatou todos as premiações do Oscar que concorreu e merecidamente. É simplesmente genial a história contada, fazendo uma alusão clara ao Mito da Caverna de Platão. Com um figurino excelente, coreografia, fotografia, sonoridade é primorosa e os efeitos especiais no filme é um caso a parte. 
A história é um Hacker chamado Neo (Reeves) que levava um vida normal, até conhecer Morpheus (Laurence Fishburn), que o introduz ao verdadeiro “mundo real”. E nessa nova realidade, Neo descobre que está a duzentos anos a frente do período que acreditava estar e que as máquinas dotadas de grande capacidade e inteligência artificial elevadíssima haviam acabado por tomar conta do mundo, ou o que sobrou dele.
1° 2001, uma Odisséia no Espaço (Stanley Kubrick)

É quase que indiscutível, o filme mais ícone de Ficção que o cinema já produziu, já por sua essência. E dirigido espetacularmente pelo Kubrick e é daqueles filmes que fica te incomodando, no bom sentido, por pelo menos meia hora depois que terminou de assistir. Esse filme traz questionamentos profundos, é um desafio a mente do expectador. Algumas cenas propositadamente lentas(e perfeitas), os efeitos especiais geniais (sem computadores), cortes nas cenas (deslumbrante), fotografia (estupenda), a representação visual da ascensão do homem sobre os outros animais, os macacos em volta do "objeto estranho" e etc. Escreveria um texto enorme, e talvez não conseguiria transmitir o que é esse filme.
A história é de um monolito enigmático, questionamentos humanos, uma jornada atrás de descobertas e um computador vilão.
Ou seja, somente assistindo para entender o porque ele é para mim, O MELHOR FILME DE FICÇÃO DE TODOS OS TEMPOS.

Bom, pessoal está minha lista dos Melhores Filmes de Ficção, alguns filmes que deixei de fora, realmente foram dolorosos para mim. Mas, como em toda lista, é normal ter discordância, então diz aí: que filme faltou e que filme não deveria ter entrado?

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Permita-me

Permita que eu me entregue ao instante, porque o instante sou eu. Sou urgente. Sou agora. O que fui a um segundo esquanto esparramava lágrimas sobre esse papel já não me importa. Sofro a cada segundo, a tictaquear do relógio encrostado em minha parede vida. Tudo não me passa de um soluço miserável, de quem tenta desesperadamente curar-se de estar são. 
Quero já. Preciso agora ser. Mas, ser também me incomoda. É ele que faz de mim qualquer coisa estável, numa pirâmide de palitos. E sou eu, bem lá no alto equilibrando-se entre o que fui e o que serei. Mas, continuo querendo o instante-já. Palavras soltas e vazias, qualquer coisa que remonte o breve tempo entre os segundos, eu estou lá e preciso me achar.

domingo, 18 de março de 2012

A Liberdade de Expressão francesa e a Burca

A Liberdade de Expressão oriunda da Revolução Francesa, hoje em dia é bem constituída pelas Nações Unidas. Infelizmente ainda encontra barreiras em diversos países, que flagrantemente ferem os direitos humanos mais básicos,  pois estes, constituem uma carga cultural ainda baseada em preceitos arcaicos.
Neste panorama do mundo moderno, países com senso humanista bem constituídos e desenvolvidos, tende a olhar essas culturas, e com uma boa dose de razão, sendo maléficas e tende a subjuga-las como inferiores ou mesmo sub-desenvolvidas.
No atual arcabouço de miscigenação em nossa sociedade vigente, conflitos de culturas e de religiões, essa última em destaque especial, proporciona choques de diversos interesses.É justamente onde a Liberdade é sempre posta em evidência.
Entra o questionamento onde a Liberdade é permitida e tolerada em nossas sociedades mais Laicas?
Como por exemplo, é o caso francês, que além de ser laica, é também bastante humanista. Até onde o que fazemos ou acreditamos, afeta a liberdade de outros componentes de nossa sociedade?
Proibir ou restringir, com uma lei como é o caso francês, a Liberdade de Expressão, mesmo que a justificativa tenha sido satisfatória para boa parte da sociedade, contrapõe-se a sua base fundamental que constitui o governo francês, a laicidade.
Abre-se um perigoso caminho para que minorias sejam subjugadas e oprimidas em seus diretos fundamentais. Entendo, porém, que a burca como símbolo (um dos da religião islâmica) é usada como forma de coerção dos homens sobre suas mulheres e é visto como um atentado a dignidade da mulher,  forma de supressão da liberdade da mulher.
Será que para a sociedade islâmica, com culturas e mitos bem arraigados, não é também um atentado e uma violência à eles, o modo de vida ocidental, principalmente no quesito da mulher?
Acredito que no mundo atual, vivemos uma liberdade sem precedentes e devemos aprender com erros de nosso passado e tentar-nos ser mais tolerante com o diferente, com o desigual, com modos pensamentos distintos e acima de tudo, devemos lutar para que não seja ferida a  Liberdade de Expressão e de pensamento. E que nossa sociedade, seja mais racional, humanista e laica, para que todos as crenças sejam preservadas.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ah, esse meu coração....

Ah, esse meu coração que não aprende.

É um louco desvairado e descomedido, que bate-me insanamente por qualquer brisa leve de esperança. Qualquer sussuro leve de atenção, já abre descompassadamente um sorriso atônito, uma assombração a minha espécie humana.




Ah, esse meu coração que não aprende.

Joga-se na órbita das ilusões, cai frenéticamente como que sussurrando um alento de desejo. Um desejo tão verdadeiro, que subnutri minha vida como um todo.




Ah, esse meu coração que não aprende.

Induz-se conscientemente para aquela esperança de ser correspondido, mesmo uma atenção leve do que é desejado, já é motivo suficiente para se ensaidecer e enlouquecer seu usuário.




Ah, esse meu coração que não aprende.

Já apanhaste tanto da vida, já sofrestes tantas amarguras e continuas sendo o ingênuo que confia. Não sabes que a vida maltrata os ingênuos e vilipendia-os a qualquer lugar onde a solidão abrasa?




Ah, esse meu coração que não aprende

Não é suficiente ser tão desvairado e tão elouquente em minha cabeça? Poderia ao menos fazer um breve silêncio. Um repouso, uma angústiante solidão de ti, faria-me o mundo ser ao menos, suportável.




Ah, esse meu coração pedinte.

Chora uma atenção alheia que envergonha seu portador. Pede com uma frequência absurda, um novo romance, um novo flerte e nova paixão. Chora descompassadamente, por um amor. Não, não adianta explicar que o amor não existe. Esse meu coração não aprende.




Ah, esse meu coração sofredor.

Sofre alucinadamente, e as vezes teve pouco contato com o objeto do seu desejo. Lá vai ele, soluçando sorrateiramente em mim, por quem jamais lhe deu um motivo para isso.

Qualquer Simplicidade

O sono despertou com insônia. O mundo acordou bêbado de toda a sua arrogância. As flores despedaçadas de suas belezas. O vento uivando de sua estagnação. O concreto nublado do céu, transparece qualquer coisa ainda obscuro para mim. Uma coisa que sei instintivamente e não sei explicar ou entender. As emoções estão sendo decaptadas por essa ainda vaga ausência de vida. Necessito de uma pulsação irreal, que me descontrole e dilacere-me do cotidiano. Tenho horror ao cotidiano. Preciso absorver alguma sensação, qualquer briza suave me faria feliz. Eu, como criança que sou, me divirto com qualquer coisa simples. A simplicidade é meu alíbi.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O que me despertou hoje?

…É que acordei do fundo do sono sem fundo. Acordei com horror ao mundo, com um tédio ancestral. Um desamparo de viver levantou comigo da cama, é como uma saudade prolixa do que nunca conheci ou uma lembrança de guerra que nunca lutei. É um tédio incompreensível de ser. Hoje só estou disposto a perder aquilo que nunca tive, e mesmo assim sentirei a ausência incógnita do que cedi. Escorrerá sangue do que foi levado e, será um troféu bizarro do tédio que tenho hoje.
Pela minha consciência vão se passando dias, meses, anos, décadas, séculos. Um relógio descontrolado que acelera meu descontrole me despertou ao dia. É um texto na íntegra de um livro intenso que passa por mim e todos os seus volumes é a dor da minha vida inteira. Eu sou um livro estranho, numa língua estranha, publicado por quem não me soube traduzir.
Estou com peso de acordar incógnito! Estou como corda roída, prestes a estourar em ser inteiro. O passado destruiu sua sepultura, uma dor terrível despertou do enterro vivo da qual foi precipitada. O passado acaricia-me com língua enjoativa. Passei a vida inteira vendendo a ilusão que a verdade era meu álibi. Eu criei uma esperança para aliviar uma vida que não foi aliviada. Será que menti uma verdade inventada? Será que fui capaz de salmodear a hipocrisia de ser? É o meu dragão de chamas falsas.
Sei que acordei em uma cela que aprisiona por estar vivo. O horror do espelho fosco de meu espírito saiu dos lençóis comigo, um anjo diabólico entoou seu riso cristalino no meu despertar. Uma melancolia atemporal despertou-me a vida, estou hoje como poço sem profundidade, tão profundo que a noite não pensou em ser.
Há em mim, um cheiro de um livro desesperado, com chinês sem parentes ou sobrevivente de homem-bomba. Estou crepitando-me no amargo amparo desta solidão. Eu conheço bem a vida, estou sempre em perigo de perdê-la, daí provém minha alegria maior. O valor está no risco e eu quero amar para aceitar até a morte.
Sei que estou lutando com a magoa de ser só. Estou com uma vacuidade, como se fosse uma noz vazia que implora para ser partida. São esses dias do segundo mês do ano que me consome com ar gélido que amortiza. É que hoje, eu acordei de um sono alegre com triste fim e, restou-me apenas o desespero trágico dessas horas.
Lembro-me da noite a espreitar, ela de pitada de estrela em estrela, construiu minha solidão. A Lua minguante minguava minha alegria, e minha alegria queria a eternidade nela mesma. E a noite amargurada, criou em mim uma acrimônia de viver. Tenho que tomar cuidado, quanto mais se entra na noite mais a noite entra em mim.
Eu olho espantado o Sol, sua tristeza irradia no concreto das horas deste dia. Escuto seus soluços, com a proximidade das nuvens que parecem terem saídas das trevas. Suas lágrimas respingam minha face. A chuva caindo e minha fisionomia caindo junto, as águas levando todo o resto de alegria que ainda poderia haver em mim.
Minha alegria morreu ao ver nascendo o dia. Tenho a sensação que todos os problemas são insolúveis. A minha vida é a mentira que engoliu a luz do Sol e estou me vendo por dentro do escuro e retive um sentido oculto das horas sagradas, mas todas as horas são sagradas para mim. Temo o medo que tenho dos ecos oriundos dessas horas, porque eu já morri de ter esperança na esperança. A esperança é sempre violenta e cruel.
Sei que jogo palavras sem lastro, pois sou feito disso: retalho de coisas achadas e perdidas. E eu não tenho muito a oferecer, tenho em mim um desastre por dia. Todos os desastres vêm-me cobrar hoje, o despejo insólito numa chuva de desesperança.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Eu, sou eu outro

Eu, sou eu outro. Penso outro como eu. Sinto outro como eu. Não sei pensar comigo só, necessito do outro como se fosse parte de mim. Apodero-me do outro para chegar a mim. Imito-o tanto para chegar a quem sou e, sou-o tanto que até sangro eu. Necessito tanto do outro, que a ausência me causaria um distúrbio incontrolável, que eu deixaria de ser eu. Sou um ladrão de idéias alheias? Isto não me tornaria um ladrão de mim mesmo, já que as idéias pipocam de mim para mim?

Sou eu inteiro quando tenho espelhos. Alguma forma da qual dependo e do qual vario, sem formas concretas e somente abstrações infinitas, de espelhos em espelhos. Sou o fundo infinito de alguém desesperado e me alargo na espessura fundura deste irresponsável nós. Minha alma se funde nesta emaranhada rede de sensações absurdas e sinceras. Sim, sinceras. A sinceridade é sempre meu maior álibi quanto estou com este outro, que no caso, quer dizer eu. Eu, sou o outro sincero.

Ah, quanta verdade há nesse outro. Tanta verdade que me cega como humano e, me corta rasgando a bala, a indignação que tanta cristalidade me causa. A verdade é o tipo de coisa que dizemos e desejamos não ver a cusparada que lhe tacamos. Gosto da verdade, para os outros. A mentira é que às vezes me salva, a verdade é quase sempre dolorida. Não gosto de dores que me tire da ilusão de viver uma vida normal e com sentido que faça o mundo girar em sua forma natural. Fugo da verdade, mas sempre sinto os seus perdigotos em minha face. Sempre sou eu quem recebe a cusparada da vida, do outro.

O outro sou eu por inteiro. O outro também é eu. E é, de forma completa e absoluta. Mas, eu renuncio a tudo isto, ao outro, ao eu. Eu não quero ser eu, mas acabo chegando ao outro, que também é eu. O que posso fazer, se o círculo sempre se fecha e não consigo romper o que sempre se fecha? Eu não escapo do eu, sempre que se foge se chega mais perto ao Deus que se transformou para si. Ninguém escapa do seu Deus.

sábado, 28 de janeiro de 2012

O que me despertou hoje?

O que me despertou hoje? Não foi o rádio-relógio que gritava sufocadamente aos meus ouvidos, nem mesmo a falta de sono. O horror de estar vivo conscientemente saiu dos lençóis comigo. Uma opressão ufanista oriunda de algum lugar obscuro e obsceno em mim, uma putrefação de tudo que está vivo.

Fico com a sensação que tudo está perdido e o que for achado, não terá sentido aparente. Estou como um câncer perdido num corpo já morto e não encontra sobrevida aparente. Sou o horror diante de meu espelho selvagem, que me satiriza do meu ego frágil.

Não que eu ache esse sentimento bom, mas tem alguma coisa salúbre nisso tudo, é um tipo de introspecção vital que sei, no fim das cinzas renascerá uma nova fênix. Sairei fortalecido dessa chama que me consome.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Minha Alegria está em Cinzas




Eu já não vejo solução possível para nada. O mundo me ficou avesso. Meio obscuro, meio sem graça. Estou com medo. Onde está minha alegria. Quem sequestrou minha vontade de viver? Cadê minha hipocrisia que fazia de mim estável e do qual eu tinha repulsa. Ela era que fazia a vida ser possível. Tenho tudo o que desejei, e não estou feliz. Eu devia estar bem e não estou. Acho que a saciedade fez de mim uma pessoa mais chata ainda. Tudo não passa de cenário escuro e sem vida. Uma estrada orleada por cinzas, meu caminho é um descaminho. O que digo não tem sabor. Cadê minha alegria, quem me sequestrou para fora daqui?


Eu não estou me entendendo e o não-entender me torna vazio, mas cheio de campo verde para ser pastado. Sou aquela ovelha perdida no emaranhado campo verde. Minha hirsuta idéia de felicidade morreu hoje, sinto que não há solução para problema algum e toda tentativa já é frustada no seu nascimento.


Todos não passam de mentirosos impunes! Mentem até mesmo quando falam a verdade, toda a verdade sepultou minha felicidade. Sim, vocês jogaram a última pá de cal na minha alegria. A sinceridade está absorta no emaranhado das palavras mortas. Todo o alfabeto, cada letra segue impune e estou contorcendo de dor. Fui enganado por ser livre, por ser aquela ovelha inocente que confia!


Minha alegria está em cinzas e sinto, que nenhum sentimento será capaz de a reaviver!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Alguém me salve de ser eu...

O que tem de tão estranho no mundo? Quão será minha liberdade que me cega para coisas visíveis? Estou perplexo de não entender o que se passa comigo e nem mesmo sei o que sinto. É uma mistela de erros e enganos, se confundindo com sincero desespero humano desumanizado. Uma loucura atordoante que diz o seguinte e de repente, não há o seguinte.

Estou precisando de alguma mão humana que me salve de ser eu. O quê? Não existem mais humanos? Onde será que me coube e já não encaixo em nada disso? O mundo não me aceita e o que faço sempre tem uma interpretação diferente da que quero dar e ninguém me entende. Estou colocando uma rosa no asfalto e o pior, ela nasce. Mas, pra quem? Oh, quanto destempero há nessa liturgia barata e sem nexo.

Uma ideia vaga, somente vaga. Tenho pedido socorro, com uma voz baixa e rouca. Estou a quilómetros de distância de qualquer entendimento humano e, minha voz agora já não parece ter sentido de quando eu sentia a rosa. Onde foram parar os bons tempos?

Socorro! O grito que sai é desumano. Qualquer alma encantada entenderia, mas cadê minha alma, a minha essência, o meu Eu? Estou enlouquecendo peremptoriamente e qualquer sopro de brisa leve de mar é nada perante meu sofrimento mentiroso. Não sei se é deveras sofrimento que sinto, porquê não sei o que sinto. É desespero, mas com o quê?

Quais são as ideias certas para que eu possa me enquadrar neste mundo que não me aceita? Quais os segredos que eu ainda não descobri? Ah, meu desespero de sobrevivente de homem-bomba! Qualquer coisa que eu diga, vem sempre carregado de dor, de ódio de ter esperança, velha senhora ingrata e assassina, de angústia, de rancor.

Alguém me salve de ser Eu, pois já eu já não me aguento, estou prestes à explodir de ser inteiro.

Simplesmente.....Fernando Pessoa.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Desisti da Felicidade

O que estava eu esperando? Nada acontece. Essas alucinações futuras são apenas encantamentos que vagam ruidadoramente e sorrateiramente dentro de mim. Estou turvo de tanto ludibriações que me trago, em fumaças enebriantes e, tudo já passa sem sentido aparente. Mas, toca ou não toca? Sei que divagações, são minha terra. Pois, não tenho limites.O que quero e de repente não me vêem torna-se-me algo inseguro e cruel.
O abismo me olha e encaro-o de frente, ele me chama com carinho. Não é sucídio que se trata, não é de morte e, sim de vida. Ele me chama para vida. Estou começando a entender os sábios. Longe de mim ser sábio, para ser sábio tem que ter paciência e sou colérico. Sou imediato. Eu existo já. Não sou futuro nem passado. Talvez daí vem o motivo de nenhum plano. Planos são retos e tem direções. E eu, sou todo curva e me perco.Estou crepitando-me.
Acendo e apago. O fogo, a briza, o sono transparente, a minha semi-lucidez plácida. Vejo vultos obscuros perdidos dentro de mim, não sei o que é. E no entanto, é o que me torna forte. Sinto que ainda sou obscuro para mim.Cada novo dia, há – e como há – uma renovação intensa. É como um relva que durante a noite se refez das pastagens do dia anterior. É como se a noite, nesta renovação intensa. É como se eu morresse durante a noite e ao despertar, criasse uma nova vida, que não é minha. Sinto que sou outro. Sinto que fui outro ontem. E tudo não passa de novidade intensa e feliz. Até eu me dar conta, que sou eu. Eu fui eu ontem. Tenho sempre um desespeiro humano que me afeta aos cinco minutos do meu despertar. Tomo-me por consciente e crio raiz.Já não sei o que me espera na próxima linha. Já não sei mais o motivo que me fez escrever. Taí o meu desespero. É que nunca sei o que virar depois da curva. E eu sou todo curva. E me derrapo porque não sei a velocidade que estou, não tenho velocímetro para mim. Minha estrada tem aquela claridade rala e tudo parece obscuro. E eu já nem me vejo.Estou jogando fora os rastros que deixei perdidos para alguém achar. Mas, esse alguém nunca vem. Não ler o que escrevo.
O que digo é sempre outra coisa e essa pessoa não sabe ler. O que escrevo não se lê com os olhos, estes duros, e sim com o coração. Escuta o batimento cardíaco das palavras pulsando descompassadamente e sinto o cheiro de cada gota de sangue das quais pintei-las. Sinta o aroma agridoce de cada insentido de cada frase. Se não sentes, não sabes me ler. E não digo que seja fácil, até hoje eu não consegui. Dói-me muito, traz a lembrança da dor que sofri com cada pingo aqui escrito.Pode ser, que para ti nada fostes estas palavras obscuras de sentido vazio. É que ainda não disse e nem sei se irei dizer. Os pensamentos derrapam e os freios estão gastos.

Lembrei. Eu desisti. É isso que iria dizer e não disse. Achei a palavra, mas não sei significado. Do que eu desisti? Não sei, as palavras me fogem como caça. Transbordam, escorrem, mas não me molham. Caiu um pingo em mim. Desisti de procurar a felicidade. O que é felicidade?

Sem Entendimento


Não me interessa quanto pensamento há de me vir. Quero-os todos, sem receio. Que escorra sobre mim toda a sua fluidez de espírito. Toda a sua candura, por não haver reflexão que a traduza. Quero assim, sem nexos e sem a mínima concordância verbática.

Boia-se-me a superfície do que não controlo e nem haverá de ter controle. Os meus passos são soltos e o que te falo tem qualquer coisa que não sei explicar, mas, que existe e que faz de mim algo ainda transcendente. É alguma coisa entre o nada e o quase-nada. É aquele instante que está e de repente, haverá partido sem motivos ou explicações. O que estou dizendo? o que quero dizer com essas palavras absurdas? Eu é que não me meto a entender....estou oco de qualquer entender...