sábado, 28 de janeiro de 2012

O que me despertou hoje?

O que me despertou hoje? Não foi o rádio-relógio que gritava sufocadamente aos meus ouvidos, nem mesmo a falta de sono. O horror de estar vivo conscientemente saiu dos lençóis comigo. Uma opressão ufanista oriunda de algum lugar obscuro e obsceno em mim, uma putrefação de tudo que está vivo.

Fico com a sensação que tudo está perdido e o que for achado, não terá sentido aparente. Estou como um câncer perdido num corpo já morto e não encontra sobrevida aparente. Sou o horror diante de meu espelho selvagem, que me satiriza do meu ego frágil.

Não que eu ache esse sentimento bom, mas tem alguma coisa salúbre nisso tudo, é um tipo de introspecção vital que sei, no fim das cinzas renascerá uma nova fênix. Sairei fortalecido dessa chama que me consome.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Minha Alegria está em Cinzas




Eu já não vejo solução possível para nada. O mundo me ficou avesso. Meio obscuro, meio sem graça. Estou com medo. Onde está minha alegria. Quem sequestrou minha vontade de viver? Cadê minha hipocrisia que fazia de mim estável e do qual eu tinha repulsa. Ela era que fazia a vida ser possível. Tenho tudo o que desejei, e não estou feliz. Eu devia estar bem e não estou. Acho que a saciedade fez de mim uma pessoa mais chata ainda. Tudo não passa de cenário escuro e sem vida. Uma estrada orleada por cinzas, meu caminho é um descaminho. O que digo não tem sabor. Cadê minha alegria, quem me sequestrou para fora daqui?


Eu não estou me entendendo e o não-entender me torna vazio, mas cheio de campo verde para ser pastado. Sou aquela ovelha perdida no emaranhado campo verde. Minha hirsuta idéia de felicidade morreu hoje, sinto que não há solução para problema algum e toda tentativa já é frustada no seu nascimento.


Todos não passam de mentirosos impunes! Mentem até mesmo quando falam a verdade, toda a verdade sepultou minha felicidade. Sim, vocês jogaram a última pá de cal na minha alegria. A sinceridade está absorta no emaranhado das palavras mortas. Todo o alfabeto, cada letra segue impune e estou contorcendo de dor. Fui enganado por ser livre, por ser aquela ovelha inocente que confia!


Minha alegria está em cinzas e sinto, que nenhum sentimento será capaz de a reaviver!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Alguém me salve de ser eu...

O que tem de tão estranho no mundo? Quão será minha liberdade que me cega para coisas visíveis? Estou perplexo de não entender o que se passa comigo e nem mesmo sei o que sinto. É uma mistela de erros e enganos, se confundindo com sincero desespero humano desumanizado. Uma loucura atordoante que diz o seguinte e de repente, não há o seguinte.

Estou precisando de alguma mão humana que me salve de ser eu. O quê? Não existem mais humanos? Onde será que me coube e já não encaixo em nada disso? O mundo não me aceita e o que faço sempre tem uma interpretação diferente da que quero dar e ninguém me entende. Estou colocando uma rosa no asfalto e o pior, ela nasce. Mas, pra quem? Oh, quanto destempero há nessa liturgia barata e sem nexo.

Uma ideia vaga, somente vaga. Tenho pedido socorro, com uma voz baixa e rouca. Estou a quilómetros de distância de qualquer entendimento humano e, minha voz agora já não parece ter sentido de quando eu sentia a rosa. Onde foram parar os bons tempos?

Socorro! O grito que sai é desumano. Qualquer alma encantada entenderia, mas cadê minha alma, a minha essência, o meu Eu? Estou enlouquecendo peremptoriamente e qualquer sopro de brisa leve de mar é nada perante meu sofrimento mentiroso. Não sei se é deveras sofrimento que sinto, porquê não sei o que sinto. É desespero, mas com o quê?

Quais são as ideias certas para que eu possa me enquadrar neste mundo que não me aceita? Quais os segredos que eu ainda não descobri? Ah, meu desespero de sobrevivente de homem-bomba! Qualquer coisa que eu diga, vem sempre carregado de dor, de ódio de ter esperança, velha senhora ingrata e assassina, de angústia, de rancor.

Alguém me salve de ser Eu, pois já eu já não me aguento, estou prestes à explodir de ser inteiro.

Simplesmente.....Fernando Pessoa.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Desisti da Felicidade

O que estava eu esperando? Nada acontece. Essas alucinações futuras são apenas encantamentos que vagam ruidadoramente e sorrateiramente dentro de mim. Estou turvo de tanto ludibriações que me trago, em fumaças enebriantes e, tudo já passa sem sentido aparente. Mas, toca ou não toca? Sei que divagações, são minha terra. Pois, não tenho limites.O que quero e de repente não me vêem torna-se-me algo inseguro e cruel.
O abismo me olha e encaro-o de frente, ele me chama com carinho. Não é sucídio que se trata, não é de morte e, sim de vida. Ele me chama para vida. Estou começando a entender os sábios. Longe de mim ser sábio, para ser sábio tem que ter paciência e sou colérico. Sou imediato. Eu existo já. Não sou futuro nem passado. Talvez daí vem o motivo de nenhum plano. Planos são retos e tem direções. E eu, sou todo curva e me perco.Estou crepitando-me.
Acendo e apago. O fogo, a briza, o sono transparente, a minha semi-lucidez plácida. Vejo vultos obscuros perdidos dentro de mim, não sei o que é. E no entanto, é o que me torna forte. Sinto que ainda sou obscuro para mim.Cada novo dia, há – e como há – uma renovação intensa. É como um relva que durante a noite se refez das pastagens do dia anterior. É como se a noite, nesta renovação intensa. É como se eu morresse durante a noite e ao despertar, criasse uma nova vida, que não é minha. Sinto que sou outro. Sinto que fui outro ontem. E tudo não passa de novidade intensa e feliz. Até eu me dar conta, que sou eu. Eu fui eu ontem. Tenho sempre um desespeiro humano que me afeta aos cinco minutos do meu despertar. Tomo-me por consciente e crio raiz.Já não sei o que me espera na próxima linha. Já não sei mais o motivo que me fez escrever. Taí o meu desespero. É que nunca sei o que virar depois da curva. E eu sou todo curva. E me derrapo porque não sei a velocidade que estou, não tenho velocímetro para mim. Minha estrada tem aquela claridade rala e tudo parece obscuro. E eu já nem me vejo.Estou jogando fora os rastros que deixei perdidos para alguém achar. Mas, esse alguém nunca vem. Não ler o que escrevo.
O que digo é sempre outra coisa e essa pessoa não sabe ler. O que escrevo não se lê com os olhos, estes duros, e sim com o coração. Escuta o batimento cardíaco das palavras pulsando descompassadamente e sinto o cheiro de cada gota de sangue das quais pintei-las. Sinta o aroma agridoce de cada insentido de cada frase. Se não sentes, não sabes me ler. E não digo que seja fácil, até hoje eu não consegui. Dói-me muito, traz a lembrança da dor que sofri com cada pingo aqui escrito.Pode ser, que para ti nada fostes estas palavras obscuras de sentido vazio. É que ainda não disse e nem sei se irei dizer. Os pensamentos derrapam e os freios estão gastos.

Lembrei. Eu desisti. É isso que iria dizer e não disse. Achei a palavra, mas não sei significado. Do que eu desisti? Não sei, as palavras me fogem como caça. Transbordam, escorrem, mas não me molham. Caiu um pingo em mim. Desisti de procurar a felicidade. O que é felicidade?

Sem Entendimento


Não me interessa quanto pensamento há de me vir. Quero-os todos, sem receio. Que escorra sobre mim toda a sua fluidez de espírito. Toda a sua candura, por não haver reflexão que a traduza. Quero assim, sem nexos e sem a mínima concordância verbática.

Boia-se-me a superfície do que não controlo e nem haverá de ter controle. Os meus passos são soltos e o que te falo tem qualquer coisa que não sei explicar, mas, que existe e que faz de mim algo ainda transcendente. É alguma coisa entre o nada e o quase-nada. É aquele instante que está e de repente, haverá partido sem motivos ou explicações. O que estou dizendo? o que quero dizer com essas palavras absurdas? Eu é que não me meto a entender....estou oco de qualquer entender...